Apenas queriam um sexo ocasional. Pura diversão. Não procuravam compromisso, mas descompromisso. Algumas frases feitas. Uma bebida e cama.
Um acordar sem remorsos e culpas. Algumas promessas nunca cumpridas. Telefonemas não dados. Correspondência não trocada. Cada um na sua.
Entretanto, a coisa não saiu como planejado. Nunca haviam se visto. Foi amor à primeira vista.
Bastaram alguns beijos, um roçar de coxas e explodiram.
Era como se sempre se conhecessem. Um adivinhava o que o outro queria, como queria e o quanto queria.
Foi um amor louco. Louquíssimo. Praticamente visceral.
Ela, inicialmente, como num estado de torpor, foi pouco a pouco esgazeando os olhos, para, logo em seguida, colérica, subir na cama e começar a pular. E, aos gritos, pés descalços, começar a gritar: vou esmigalhar teus espermatozóides! Vou esmigalhar teus espermatozóides! Enquanto simultaneamente aos pulos, contorcia os pés ornados de curativos para calos contra os lençóis sedosos e macios. A seguir começou a uivar...para, num contorcionismo final, então já latindo, desmaiar plantando bananeira.
Despertaram sôfregos e sequer se despediram.
Eduardo Pianalto de Azevedo